Quatro em cada dez deputados federais do PSL vão mudar de legenda após fusão com o DEM

Pelo menos 40% da bancada eleita pelo partido em 2018 deve deixar União Brasil por alinhamento com Bolsonaro e brigas nos estados

Pelo menos 40% da bancada eleita pelo partido em 2018 deve deixar União Brasil por alinhamento com Bolsonaro e brigas nos estados
A deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) seguira para o partido que o presidente escolher Foto: Michel Jesus / Câmara dos Deputados
SÃO PAULO — A maior fatia do fundo eleitoral e a promessa de ser um superpartido não convenceram a maior parte da bancada do PSL a se manter no União Brasil, legenda que surgiu da fusão do ex-partido de Jair Bolsonaro com o DEM. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que o PSL vai sofrer uma debandada expressiva até as eleições do ano que vem: quatro em cada dez deputados federais eleitos pelo partido já admitem deixar a sigla.
O GLOBO procurou todos os 54 deputados em exercício do partido. Do total, 23 confirmaram saída (42,6%), 16 disseram que vão permanecer (29,6%), seis ainda não decidiram (11,1%) e nove não retornaram o contato (16,6%).

A fuga dos eleitos coloca em risco os planos do União Brasil de ter a maior bancada da Câmara. Por outro lado, alimenta o sonho bolsonarista de “bombar” uma nova sigla em 2022, repetindo o feito de 2018, quando o PSL foi de nanico para um dos maiores partidos do Congresso.

— Qualquer partido que receber Bolsonaro, se não é grande, passará a ser tratado como — disse a deputada Carla Zambelli (SP), apoiadora fiel do presidente.

O mundo político, no entanto, parece não concordar com a parlamentar. Até agora Bolsonaro não conseguiu entrar em um partido e viu alguns movimentos serem frustrados, como ocorreu com o Patriota em maio deste ano.

Entre as razões mais citadas pelos parlamentares que vão deixar o PSL está a declaração do presidente da nova sigla, Luciano Bivar, de que o União Brasil terá candidato próprio à Presidência.

— O novo partido e seus futuros dirigentes dão a entender que vão apoiar uma terceira via, e não faz sentido ficar em um partido que não vai apoiar o presidente — afirmou o deputado Major Vitor Hugo (GO), outro bolsonarista na sigla.

Janela partidária

Assim como outros parlamentares, o ex-líder do governo na Câmara não pretende deixar o PSL na janela que será aberta com a fusão, mas sim na eleitoral, em março. O intuito é garantir que os acordos feitos na eleição do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), sejam cumpridos. Pelo combinado, a ala do PSL tem direito à presidência de quatro comissões permanentes, mais a comissão mista do Orçamento.

— Não tenho nenhuma relação com quem está na presidência do partido no Rio, e a situação se agrava pela forma desrespeitosa com que aconteceu a indicação, sem passar pelos deputados federais — diz Laterça.

Presidente do PSL no Rio, Waguinho teve seu primeiro mandato marcado por investigações do Ministério Público por fraude a licitação e desvio de dinheiro público. Por meio de sua assessoria de imprensa, ele disse que foi eleito com 81% dos votos válidos e que tem em seu currículo um mandato de vereador e dois de deputado estadual.

 

Próxima Notícia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Add New Playlist