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Rebeldes atacam navio com milho do Brasil para o Irã no mar Vermelho

Houthis do Iêmen, aliados de Teerã, acharam que o cargueiro fosse americano e dispararam dois mísseis

Fragata alemã Hessen deixa Wilhelmshaven para participar de força naval europeia no mar Vemelho

Fragata alemã Hessen deixa Wilhelmshaven para participar de força naval europeia no mar Vemelho – Carmem Jaspersen – 8.fev.2024/Reuters

IGOR GIELOW

FOLHA DE S.PAULO

SÃO PAULO – Em um incidente inédito no teatro secundário da guerra Israel-Hamas no mar Vermelho, rebeldes houthis dispararam dois mísseis contra um navio transportando milho do Brasil para o Irã —Teerã é o principal aliado do grupo xiita que domina parte do Iêmen.

É a primeira vez que uma carga brasileira entra na linha de tiro na região desde que os houthis passaram a atacar embarcações mercantes e militares que associam a Israel, Estados Unidos ou Reino Unido, em apoio ao grupo terrorista palestino.

Ao que tudo indica, foi um engano. Segundo disse na TV do grupo o porta-voz houthi, Yahya Saree, o Star Isis era um navio americano. Os registros em sites de monitoramento de tráfego marítimo mostram que ele tem bandeira das ilhas Marshall, território associado aos EUA, mas é de propriedade grega.

Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer, mas não deixa de ser irônico que o navio tivesse produtos do Brasil, país que tem criticado duramente a condução da guerra por Israel, indo em direção ao patrocinador dos houthis, o Irã.

O episódio ainda está nebuloso. O que se sabe é que os rebeldes dispararam dois mísseis antinavio de suas posições em terra na margem iemenita do estreito de Bab al-Mandab (o “portão das lágrimas” entre a península Arábica e o Chifre da África).

Segundo relatos de militares americanos operando na região, o Star Isis não chegou a ser atingido. Já a empresa de segurança naval britânica Ambrey disse que a embarcação foi atingida, mas sem danos significativos. De todo modo, segundo o site de monitoramento Marine Traffic, o navio seguiu viagem.

Ele deixou o porto de Vila do Conde, no Pará, no dia 12 de janeiro. Sua chegada ao porto de Bandar Imam Khomeini, no Irã, está prevista para o dia 19 deste mês. Até pela rota para o Irã, ele não desviou do mar Vermelho circunavegando a África, como tantas embarcações têm feito nesta crise.

A região, antes da guerra, concentrava 15% do comércio marítimo do mundo. O Brasil é o maior exportador de milho para o Irã, com uma previsão de vender 4,5 milhões de toneladas do grão neste ano para o país do Oriente Médio.

O Star Isis é um graneleiro da categoria Panamax, certificada para transitar com o máximo de tamanho possível pelo canal do Panamá, com capacidade de transportar até 80 mil toneladas. O navio é operado pela Star Bulk Carriers, de Atenas, que direcionou perguntas para a força-tarefa liderada pelos EUA no mar Vermelho.

Formada para reagir à crise, a Operação Guardião da Prosperidade se vale de outras forças-tarefas já em ação na região, notadamente a CTF (Força-Tarefa Combinada, na sigla inglesa) 153, que já era liderada pelos EUA. Há também agentes europeus independentes na região, reforçados recentemente por navios alemães e dinamarqueses.

A CTF-153 é uma das cinco equipes multinacionais em toda a região do Oriente Médio. A CTF-151, que atua primordialmente contra a pirataria no mar Vermelho e golfo de Áden, foi assumida pela Marinha do Brasil no fim de janeiro. Ela opera dois navios, um sul-coreano e um japonês, e pode eventualmente interferir em defesa de outras embarcações ou se proteger em caso de ataques houthis.

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